segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Minha Lei


Há um mundo perfeito no brilho do teu olhar

E desde o momento em que o vi

Não há nada que cause tanta mágoa e sofrimento como tentar alcançá-lo.

Não aprendo a lidar com a distância

Não aprendo a aceitar que não estás perto.

Não há regras que me definam, não há sonhos que tenha

Sem ser ter-te nos meus braços a toda a hora, a todos os minutos e segundos.

Cliché, talvez, mas amar-te é e será sempre a minha única lei.

domingo, 1 de novembro de 2009

Quero-te


Deitei-me sobre a areia e fiquei a contemplar as nuvens. Respirei fundo e o odor intenso do mar preencheu-me a alma e com ele trouxe a tua memória.Nas nuvens via o teu sorriso desenhado, o teu olhar meigo, o barulho do mar trazia-me o som do teu riso e da tua voz. A areia debaixo de mim fez-me pensar o quanto eu te queria ter ali comigo, o quanto eu desejava que as tuas mãos percorressem o meu corpo e que me dissesses uma e outra vez que sou tua.
Sentei-me. A serra espraiava-se para lá do mar, um majestoso arco-íris inrrompia atrevido os céus e desejei-te mais do que nunca naquele local onde o tempo não quer passar, comigo. Saberias dar-lhe o valor que merece, saberias amar-me como ninguém até hoje soube, saberias quem sou e quem quero ser contigo como nunca antes alguém sonhou. Não precisaria de ir atrás do arco-íris, tu és o meu pote de ouro, és a felicidade pela qual tanto lutei...mas também esse pote é precário, tu estás longe, muito longe e sem ti aqui tudo o que me rodeia não passa de sombra e vultos, nada tem forma definida, as palavras ressoam sem claridade, o sol é tapado por nuvens e eu vivo numa dormência estranha, à espera que tu chegues e me acordes, que me faças ver o mundo com olhos de ver.
Levanto-me e caminho na direcção do mar. Deixo que a água fria e agradável me molhe os pés e pernas, e as calças inclusive, mas sorrio perante o pensamento de te ter comigo, a rires-te do meu ar tolo e infantil a fugir das ondas.
Quero-te comigo aqui e agora, quero amar-te de todas as maneiras, formas e cores, quero sobretudo poder ser livre de te amar sem restrições de distância, tempo ou local, quero amar-te por aquilo que és, quero estar nos teus braços hoje, amanhã e sempre.
Será que é demais pedir-te a ti?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Simplicidade de um Sorriso


Não consigo arranjar palavras para descrever o teu sorriso. É mais que divino, é mais que perfeito e é tão mais do que eu poderia querer.
É nele que me foco quando o ar me falta, quando as palavras magoam e quando os actos nos dilaceram.
Os ossos podem partir, a carne rasgar, as lágrimas secarem, os sorrisos desvanecerem-se e as almas ficarem vazias, mas se há coisa que permanecerá comigo até nem cinzas de mim restarem é o teu sorriso e tudo aquilo que ele significa para mim.
Odeio não te ter por perto, a dor é mais forte do que eu consigo suportar, mas é a única coisa que mantenho e guardo dentro de mim. Tudo o resto se desvaneceu, tudo o resto é pó e tudo o resto é vazio. Mantenho esta dor apenas porque é tua, é nossa e sei que um dia, quando voltares e me olhares nos olhos, quando me deres o teu sorriso secreto e que tens guardado para mim e quando me beijares os lábios com a douçura que só tu sabes ter e com o amor que só tu me sabes dar, tudo vai voltar ao seu lugar, todos os fantasmas ganharão as formas que agora não distingo e se quebrarão em milhares de pedacinhos pequeninos e darão a lugar a coisas boas e simples, porque é o que eu amo em ti, o teu sorriso simples e sincero, o teu cabelo cor de areia e os teus olhos cor de mar, meu menino de oiro, meu porto de abrigo, o meu lar, onde sei que nada de mal me acontece.
Porque um dia, correrei para os teus braços, que tu me vais abraçar e não me vais largar mais e enquanto lágrimas de alegria me correm pelo rosto que está enterrado no teu peito eu direi "Estou em casa. Amo-te."

domingo, 18 de outubro de 2009

Felicidade Precária


Apesar da distância, gostava que soubesses que és o meu porto de abrigo, a minha fonte de calma e forças, o local onde todas as mágoas se dissipam e se tornam em estrelas.
A tua memória sabe secar-me todas as lágrimas, excepto aquelas que são dedicadas a ti e à tua ausência, porque essas estão guardadas num recanto do meu peito, bem fundas, trancadas à espera que as libertes e que lhes dês um sentido.
É-me impossível descrever o que sinto por ti, é mais forte do que deveria ser, é mais de mim do que eu queria e é mais do que eu consigo aguentar.
À noite, a cama é fria e grande demais, o meu corpo ajeita-se como quando dormias a meu lado. Deliro e vejo o teu sorriso quando acordo, sinto os teus olhos doces verem-me acordar, mas depois de bem desperta não passas de uma ilusão. Prometeste que não sairias do meu lado, mas abri os olhos e não estavas.
Que felicidade precária é esta, que só posso ter enquanto durmo, para poder sonhar contigo?
O sono tornou-se a minha droga para poder estar nos teus braços, uma e outra vez, para sentir os teus lábios nos meus infinitas vezes, para sentir a tua pele tocar a minha quantas vezes o tempo o permitir, para te amar de todas as maneiras que quero enquanto o sonho durar.
Se soubesses o quanto de amo eu sei que ficarias, por mim, por ti e por um nós que existiria fora da noite.
Dou-te de bom grado tudo o que tenho, tudo o que sou, incluindo o que me é mais precioso e que aos poucos aprendi a amar por tua causa, a minha vida. Dou-te tudo isso porque te amo, mais submissa do que quero e do que deveria ser.
Contigo, não quero que o tempo e o espaço sejam barreiras, quero que as palavras sejam substituídas por olhares que vagueiam pelas almas e por beijos que fazem lembrar o mar.
Dizer que te amo é tão menos do que verdadeiramente sinto...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Se do Amanhã Já Nada Resta


Se do amanhã já nada resta
Então deixa-me passar o ontem contigo.
Se da manhã já não há sinais
Deixa que o sol seja reprimido para que o meu corpo pertença aos teus braços por uma noite mais.
Se dos ventos já não resta frio
Deixa que o calor do teu corpo envolva o meu.
E se de ti ja nada resta
Então, para mim, tudo o que era belo morreu.

domingo, 11 de outubro de 2009

Eternidade de uma Noite


Aquilo que sinto por ti assemelha-se à loucura, contudo, tem traços finos de paixão, minuciosamente traçados pelo teu sorriso e pelo teu olhar cheio de meiguice.
O que transforma essa paixão em loucura? Bem, talvez a resposta mais óbvia seja a distância, o facto de estares ausente, tu aí e eu aqui...
Acordo a chamar pelo teu nome, as minhas noites são passadas em delírio e a sonhar contigo, com o teu doce cheiro que se agarra à minha pele, com as tuas mãos em volta da minha cintura a puxarem-me para ti e para o corpo que tanto anseio...
Os teus traços de menino são tão doces e contudo, consegues mostrar uma maturidade que se adequa à tua idade, o teu riso faz com que o meu sorriso se contagie e se torne numa gargalhada e que uma lágrima minha se transforme num aberto e sincero sorriso.
O ritmo dos teus passos é o ritmo do coração que bate dentro de mim, a tua dedicação e concentração fazem-me querer mais de ti...
Se isto não é loucura, diz-me o que é, porque numa frase louca e desesperada, num grito mudo que lanço ao mundo para que me possas ouvir, o meu peito rebenta louco de fúria um brevemente eterno Amo-te...
E se só te pedir mais um beijo? E se só te pedir mais um abraço? E se só te pedir a eternidade de uma noite para um beijo e para um abraço?
Amo-te.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Versos Mortos


Às vezes o tempo pára e ficamos sós
Mas quando o relógio recomeça,
De um novo começo,
Já nada resta de nós

E se um dia andar por aí,
Perdida em pedras sozinhas,
Pedras que de escritas têm água
Água de minhas lágrimas vazias
E se um beijo teu vale mais,
Muito mais do que mil palavras
Em mil silêncios meus,
Ressoa a loucura de alguém,
Que em tempos foi ninguém
E de ninguém o tempo solta amarras

Porque os poetas já não sofrem
E os mortos já não rimam
Se eu,
Louca e em desvario no meio me encontro
De paixão sinto fastio.

domingo, 27 de setembro de 2009

Já Não Se Escrevem Cartas De Amor


Lembro-me de olhar nos teus olhos e pensar que te iria escrever uma carta. Mas depois lembrei-me, já não se escrevem cartas de amor.
Este pensamento deixou-me triste.
Já não se escrevem cartas de amor, já não existem príncipes dispostos a morrer por princesas nem reis dispostos a lutar por rainhas. Os amantes já não morrem juntos por não aguentarem uma vida um sem o outro e já ninguém diz "Amo-te" sinceramente...
Perde-se a vivacidade dos olhares, as palavras tornam-se mecanizadas e os passeios de barco, os piqueniques e as noites a ver as estrelas não passam de miragens.
Já não se fazem serenatas de nos deixar com lágrimas nos olhos e que acabam com um terno beijo enquanto lágrimas de felicidade nos correm pelo rosto e encontram repouso e conforto nos lábios de quem nos beija.
Já não se recitam poetas e já não existem declarações no meio da avenida da cidade.
Já não se escrevem cartas de amor.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Manhã


É 6a feira...
Sofia acorda de mais um pesadelo com o som do despertador.
"7h00 da manhã" pensa, ainda aturduída do sonho que lhe parecera tão real.
Obriga-se a levantar-se da cama, a prender o cabelo e a dirigir-se para o banho com os passos lentos e pesados, sem qualquer tipo de vontade de sair de casa naquela manhã fria e cinzenta.
O banho quente ajuda-a a despertar um pouco, mas a vontade de se enfiar na cama e dormir até não poder mais cresce a cada segundo. "Não pode ser", pensa, "é só hoje, amanhã podes descansar."
Arranja-se lentamente, dentro do curto espaço de tempo que tem para se arranjar, não importa se demorar mais uns minutos, "Comboios há muitos...".
Ao sair de casa tem a sensação de que se esqueceu de alguma coisa, olha para dentro da mala, certifica-se de que tem tudo e chama o elevador do 4º andar onde mora.
Dirige-se até à estação de comboios e espera pelo seu, que é daí a 3 minutos. Contudo, esse tempo dá para reparar de fora nas pessoas que a rodeiam e que andam de um lado para o outro, abstraídas de tudo. Ao passarem por si, deixam rastos de perfume extremamente concentrados, deixando Sofia enjoada.
O comboio chega. Entra mecanicamente na carruagem e escolhe um lugar ao pé da janela. Abstrai-se das pessoas que a rodeia, das conversas que têm e das diferentes línguas que falam e concentra-se no livro que tem andado a ler nas últimas semanas. A voz gravada da indicação das estações é praticamente inaudível áquela hora da manhã, por ser hora de ponta.
Ao sair na sua estação, desce até ao metro, quase esmagada pelas pessoas apressadas. Não são raras as vezes em que o seguinte pensamento se lhe ocorre "Parecem gado sem pastor, tudo na mesma direcção, não podem esperar pelos outros, não se importam que alguém caia ou se magoe...Comportam-se como gado autêntico", e o dia de hoje não é excepção.
Na estação do metro, o odor matinal continua bem marcado, um misto de perfumes e colónias, com café e tabaco à mistura.
O metro está ainda pior do que o comboio, por isso tem de se limitar a ir em pé. Não consegue de se sentir desconfortável, os varóes e pegas de segurança estão gurdurosos, sabe-se lá que mãos por ali passaram, fica com uma sensação esquisita no corpo, tem de lavar as mãos assim que encontre uma casa de banho decente.
A saída do metro é mais calma do que a entrada, à chegada à superfície é um banho de realidade, o sol encadeia-lhe os olhos claros, obrigando-a a fechá-los.
Caminha lentamente pela cidade e consulta o relógio "Tenho tempo, afinal de contas, são só mais umas horas até que possa voltar a casa e dormir até que me apeteça."

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Eu comigo


Não seria a primeira, nem muito menos a última vez que digo que estou sozinha. Mas desta vez é diferente.
Sinto-me sozinha na verdadeira acepção da palavra. Para onde quer que me vire são mais os erros que cometo do que as coisas em que acerto, as coisas em que acerto são de algum modo transformadas em erros colossais. Fui deixada para trás, impediram-me de realizar o meu sonho e, enquanto toda a gente anda feliz, eu lido, sozinha, comigo e com a minha solidão.
Não consigo comer, não consigo dormir, não consigo evitar chorar perante uma qualquer idiotice que passa na TV, não me consigo conformar com a minha situação por mais que me digam que não há volta a dar, tenho um grito preso na garganta, um misto de fúria e lágrimas que continuo a engolir quando a minha vontade é revelá-lo.
"Tudo acontece por um motivo", é a frase que tenho ouvido nos últimos dias, vezes e vezes sem conta e eu mesma, em tempos, cheguei a acreditar nela. Mas e se não for verdade? Se as coisas acontecerem sem nenhum motivo, se as situações decidem render-se a si mesmas sem nenhuma finalidade que disso possa advir?
Por mais que me digam que este obstáculo foi posto no meu caminho para eu crescer, eu não consigo aceitar isso, é impossível crescer com tão pouco depois das atrocidades que passei. Apenas serve para me sentir mais idiota, mais humilhada comigo mesma, mais ultrajada e com um sentimento de impotência irreversível, só serve para que tenham pena de mim na minha cara e para que se riam disso nas minhas costas. Não preciso da vossa pena, basta-me a minha e já é mais do que consigo aguentar.
Dou comigo a perguntar-me, de que serve lutar por aquilo que se quer, de que valem o suor, as lágrimas, as noites sem dormir, os dias sem comer, todo o stress antes do momento que pode mudar a nossa vida, se há sempre alguém superior disposto a reconhecer que nunca é o suficiente e que não somos merecedores de termos aquilo que desejamos.
Perguto-me como é que há pessoas cruéis ao ponto de acharem que têm poder de decisão sobre os sonhos que alguém tem, sobre as oportunidades que todos devem ter para serem verdadeiramente felizes...
Mas é nestas altura que, por mais palavras que use, ninguém é capaz de perceber como me sinto, a revolta que sinto por mim mesma, o sentimento de humilhação de mim para mim a que me sujeito. Ninguém é capaz de ver que quando erro é porque sou humana e não uma máquina (humana demais, talvez), não são capazes de admitir que eu não sou perfeita...
Meus senhores, ninguém o é, porque terei eu de o ser?

Someone, somewhere


Left behind, ignorant, stuck in here, stupid, sad, pathetic, ALONE...just me.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Contradições


Ando perdida, à deriva...
Não sei que dia é nem a hora a que escrevo. Não suporto olhar para o calendário nem para o relógio.
Estou esgotada, de energias completamente sugadas...Estes últimos dias foram fulminantes demais para aquilo que posso aguentar.
Estou confusa e baralhada, feita de contradições e opostos que gostava que se anulassem a eles mesmos...Quero estar sozinha, mas não suporto que me abandonem, quero sair deste sítio maldito que me aprisiona todos os dias, a vontade de partir não poderia ser mais ambiciosa e mais desejada, contudo a ideia de partir assusta-me, deixar tudo para trás, quem conheço. quem fui, as minhas origens e raízes, o sítio e as pessoas que fizeram de mim quem sou hoje, boas ou más, cruéis ou amáveis...Será possível sentir isto tudo ao mesmo tempo?
Quero sentir coisas que nunca senti antes, sentir as mesmas com uma intensidade maior, mas quero deixar de sentir de todo. Odeio estar apática, triste e soturna, em danças de cetim negro e noites de lua cheia, mas é o único sítio de mim que conheço e não o quero abandonar porque já me habituei a isso...
Sou feita de contradições que nem eu mesma me posso dar ao luxo de compreender por ser doloroso de mais para mim.

domingo, 13 de setembro de 2009

Regresso perdido




Quero regressar à infância...
Tudo o que sempre desejei, mesmo antes do tempo em que me era permitido desejá-lo, foi ter 18 anos, atingir a maioridade, ser independente, deixar tudo o que tenho para trás, partir de malas e bagagens para sítios mágicos e novos.
Cheguei aos 18 anos viva, se bem que não sei como. Passei por tudo, pelas maiores atrocidades que o ser humano é capaz de cometer contra os outros e contra ele próprio e estou aqui, maior de idade. Sempre me considerei um pouco mais adulta do que a idade o exigia, e nunca me importei com isso, aprendi a ver o mundo de outra maneira e com uma visão mais crua do que é ser-se humano.
Mas de alguma forma, quero voltar atrás no tempo, quero reviver cada sorriso de infância, cada dói-dói, cada brincadeira com aqueles que me são queridos. De repente, esta responsabilidade de me tornar adulta e independente é demais para mim e para aguentá-la sozinha. Continuo a querer partir para lugares que nunca vi, mas com aqueles que amo na minha bagagem. Quero ser uma criança, ser adulta tornou-se pesado demais para mim. Não posso descartar o que vivi e muito menos esquecê-lo, mas quero voltar a ter o colinho da avó quando estava assustada e que ela cante até eu adormecer, quero ficar ansiosa com o primeiro dia de aulas e ir comprar os materiais novos, quero ter o prazer de sentir o cheiro de um livro novinho em folha e rasgar os plásticos que os envolvem, quero voltar a ter a inocência que perdi e tornar as lágrimas que chorei em sorrisos.
Sabia que ia ser difícil, não pensei que fosse brutal e cru e muito menos real.
A independência é uma utopia com a qual ainda sonho, mas não quero perder todos aqueles que um dia ousei pensar que me queria despedir e abandonar.
Sinto-me perdida, estou com o coração enrolado em arame farpado e continua a apertar mais e mais, já estou a sangrar e dói, meu deus, como dói, dói crescer!
Como dói...

sábado, 12 de setembro de 2009

A Uma Irmã (quase) de Sangue


Miriam,
O tempo é tão pouco e o que há a fazer é tanto...
Nem sei por onde começar...
Gostava de estar no teu lugar, ser eu a ir e tu a ficares, mas iria dar ao mesmo, estaríamos longe na mesma...
O que vai ser dos almoços à ultima da hora, das directas tresloucadas, das saídas à noite, das sessões fotográficas, das nossas tardes a tocar guitarra, dos nossos planos de viagens e férias, das nossas cusquices...basicamente o que será de nós?
14 anos de amizade é realmente muito a perder para alguém como nós...Posso dizer que te vi crescer, também tu me viste crescer, crescemos juntas...não precisamos de pedir licença para entrar em casa uma da outra, não temos papas na língua, já passámos e partilhámos de tudo, desde alegrias a tristezas, quando te fores embora o que vai ser de tudo isto?
Não consigo imaginas os meus dias sem que tu estejas presente neles de uma maneira tão permanente, não quero sequer pensar...mas não há outra coisa que não pense...
Apesar de todas as confusões que têm surgido nos últimos anos sabes que te amo do fundo do coração e que ver-te feliz e a atingires os teus objectivos é o que mais quero.
Mas há tanto que fica para trás e tão pouco tempo para o recuperar ou reviver...
Não quero chorar, mas neste momento é impossível.
Quero ser pequenina outra vez, quero andar a correr contigo no recreio do colégio e chamar-te Mimi até a palavra já não fazer sentido, quero voltar a passar tardes e noites inteiras a rir até nos doer a barriga, quero gozar contigo e que gozes comigo, quero tudo aquilo que não vou ter quando não estiveres presente...

Assim Sendo, Adeus


- E se eu te dissesse que amanhã já não estarias aqui?
- Provavelmente ria-me de ti e dir-te-ia que isso não vai acontecer.
- Estás disposta a rir-te de mim?
- Não.
- Porquê?
- Porque não tenho vontade de o fazer. E já te disse que não vou sair daqui tão cedo quanto eu gostaria...
- Mas a tua vida vai mudar na mesma...
- Tens razão...
- Queres essa mudança?
- Não...
- Porquê?
- Porque é uma mudança que não é a meu favor.
- Só dizes isso porque não gostas do que vai acontecer...
- Talvez...Sabes que odeio ver pessoas que amo partir, que nada me deita mais por terra do que isso...
- É verdade...
- E que odeio estar no mesmo sítio...Agora vendo bem não se pode chamar mudança a algo que se vai repetir por sei lá quanto tempo mais...
- Claro que é mudança...Como te sentes?
- Sozinha, bem sabes...
- Não estás nada! Eu estou contigo...
- Não estás não, tu partiste, não és real!
- Assim sendo, Adeus.